Levantamento bibliográfico para leitura e discussão posterior. Seleção do artigo "A (in)disciplina na escola: sentidos atribuídos por profissionais da educação"dos autores maria teresa Ceron Trevisol e Anemari Luersen Vieira Lopes, para debate na próxima semana entre os integrantes do grupo.
Link para visualização: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2008/909_555.pdf
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Artigo - Indisciplina Escolar: Diferentes Olhares Teóricos
Realizamos a leitura e discussão do artigo "Indisciplina Escolar: Diferentes Olhares Teóricos" de Fernanda Aparecida Loiola Barbosa, apresentado no "IX Congresso Nacional de Educação" e "III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia" no segundo semestre de 2009.
Todavia, previamente à leitura, buscamos informações semânticas e etimológicas acerca do termo "disciplina". Nesse panorama, observamos que a palavra pode assumir diversos significados, dentre os quais destacamos: (1) obediência às regras, aos superiores, à regulamentação; (2) ordem, regulamento, conduta que assegura o bem-estar dos indivíduos ou o bom funcionamento (por exemplo, de uma organização); (3) ordem, bom comportamento [...] (7) cordas ou correntes com que frades, devotos e penitentes se flagelam (DISCIPLINA, 2019). Além disso, no que concerne à etimologia do termo, observamos que vem do latim disciplína, (significando "instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada") que deriva de discipulus (sendo esse o "aluno, aquele que aprende") a qual, por sua vez, origina-se à partir de discere (que equivale ao verbo "aprender") (ORIGEM DA PALAVRA, 2014; MARINHEIRO 2008).
Portanto, notamos que originalmente o termo estava relacionado à ideia de ensino/educação enquanto algo que o discípulo recebia do seu mestre, no entanto, com o decorrer do tempo, o termo assumiu uma conotação muito mais hierárquica e, nos âmbitos militar e eclesiástico, adquiriu um sentido intimamente ligado ao cumprimento rigoroso de leis e ordenamentos, de tal forma que chegou a denominar um instrumento utilizado em práticas de auto-penitência realizada por frades e/ou devotos.
Logo, de um modo geral, observamos que, dada a origem da educação brasileira - com a ordem monástica dos Jesuítas instituindo as primeiras escolas no período colonial (FREITAG, 1979) - as mesmas trazem consigo no conceito de disciplina uma carga muito forte dessa noção de cumprimento rigoroso de leis e da manutenção da ordem. E, por outro lado, deixa de abarcar uma concepção fundamental de que disciplina é uma conduta que deve assegurar não somente a ordem (ou seja, o bom funcionamento de uma organização), mas também o bem-estar dos indivíduos. Além disso, nessa concepção rigorosa do conceito de disciplina perde-se a sua ancestralidade etimológica latina a qual, em certa medida, implica na relação mestre-discípulo que, por sua vez, pode contemplar a afetividade dentro da relação dicotômica da educação: um processo de ensino-aprendizagem no qual, parafraseando Freire, ninguém ensina ninguém; ninguém aprende sozinho; aprendemos juntos mediados pelo mundo.
O artigo é breve e divide-se em três partes: (a) origem e significado do termo indisciplina; (b) análise dos principais conceitos sobre a indisciplina escolar e (c) considerações relevantes à prática docente. Assim sendo, constitui-se enquanto bom material introdutório para o tema.
Após realizada a leitura e debate entre os membros do grupo, concluímos que, de modo geral, trata-se de um bom artigo introdutório ao tema, embora limite-se à somente duas abordagens teóricas (as quais não são introduzidas ao leitor e tampouco propriamente referenciadas para um aprofundamento) da problemática da indisciplina escolar e não traga uma contextualização histórica da questão ponderada pelo artigo o que, por sua vez, seria, segunda nossa avaliação, fundamental para compor um referencial teórico mais adequado para a reflexão proposta. Todavia, tais aspectos não são detrimentos para aquilo que o artigo se propõe, isto é, provocar uma reflexão acerca da temática, qual seja, a indisciplina escolar.
No trecho introdutório do artigo, nos atendo à questões linguísticas, há no texto o uso de certa terminologia referindo-se à indisciplina como algo a ser "prevenido" e/ou "tratado", tais terminologias, sob nossa compreensão, assumem uma conotação muito patológico-medicamentosa - ainda que seus significados sejam utilizados por extensão de forma metafórica, transmite uma ideia pejorativa de que a indisciplina é algo como uma "doença" que deve ser "prevenida" e/ou "tratada". Logo, compreendemos que tais vocábulos não pertencem na discussão acerca da indisciplina escolar.
Ainda na introdução, a autora afirma que a problemática da indisciplina escolar "tem mobilizado a comunidade escolar" (BARBOSA, 2009) todavia, não compreendemos que mobilização seja o termo mais adequado para descrever a reação da comunidade escolar perante o fenômeno, uma vez que mobilizar-se implica a execução de determinada ação (em um conjunto de pessoas) para uma realizar tarefa com metas, prazos, avaliação e iteração do processo. Assim sendo, o que observamos na comunidade escolar trata-se mais de um estado de perplexidade em relação à indisciplina.
Por fim, na introdução do seu artigo, Barbosa faz uma indagação que nos chamou a atenção: se "seria possível haver equívocos no que se refere à compreensão do termo indisciplina?". Ora, tal questionamento é deveras relevante para nós na medida que nossa compreensão é que este constitui o cerne da nossa problemática: desconstruir o conceito de indisciplina no contexto escolar.
Na segunda parte do artigo, a autora irá explorar a origem do termo "indisciplina" e, levando em consideração nossa precoce busca semântica e etimológica de seu radical "disciplina", não houve nesse trecho do artigo nenhuma informação de grande relevância nesse aspecto em particular. Seguindo, uma vez exploradas algumas definições do conceito, a autora irá analisar as mesmas sob a ótica de três concepções teóricas: a tradicionalista, a escolanovista e a construtivista. Nesse panorama, identificamos no olhar construtivista uma abordagem a qual dialoga mais adequadamente com a forma a qual compreendemos a problemática.
Tal arcabouço teórico, no qual a disciplina é vista sob uma ótica positiva, nos remeteu à um reflexão realizada por Jocko Willink (um SEAL da marinha dos Estados Unidos aposentado, para quem, portanto, o conceito de disciplina tem um valor importantíssimo) em entrevista concedida à Casey Neistat, segundo o qual:
"We all want freedom, right? We all want to have freedom. We want to have financial freedom, we want to have more free time, we want to have physical freedom. That's what we want. Everyone wants freedom, of course. But, if you want to have freedom in your life, the way to get to freedom is through discipline. That's how you get there. So, if you want to be financially free, you have to have financial discipline. You have to save your money, you have to work hard to earn more money, you have to not buy stupid things that you don't actually need, right? You need yo save that money and invest it properly. All that takes discipline. And if you have that kind of discipline, you'll end up with more freedom." (NAVY..., 2018)
Dessa forma, dialogando diretamente com a ideia contida no artigo de que, segundo a visão construtivista: "A disciplina não é um conceito negativo: ela permite, autoriza, facilita, possibilita." (PARRAT-DYAN, 2008 apud BARBOSA, 2009). Cabe ressaltar ainda, que nos é significativa a análise da autora segundo a qual, sob o ponto de vista construtivista, a disciplina é um:
"[...] instrumento de libertação [através] de obediência consciente na qual o sujeito participa ativamente do estabelecimento de regras de conduta considerando os valores e objetivos que se pretende atingir." (BARBOSA, 2009)
Assim sendo, tal definição do conceito nos remete à forma como José Pacheco desenvolve a gestão escolar, por exemplo, como realizou no "Projeto Âncora" e na "Escola da Ponte" (JOSÉ, 2013).
Na terceira e última parte do artigo, Fernanda Barbosa irá aprofundar a exploração de dois olhares teóricos, contrapondo os pontos de vista das escolas de pensamento tradicionalista e construtivista. Logo, a mesma aponta que, segundo a análise de Freitas (1998), há um forte autoritarismo presente na visão dos professores tradicionalistas os quais, por conseguinte, norteiam-se apenas pelo aspecto comportamental da indisciplina (ignorando questões biopsicossociais) e são obcecados com o silêncio, a imobilidade, a passividade e o controle.
Por outro lado, Barbosa irá apontar que, segundo Garcia (1999), houve avanços significativos no pensamento acadêmico nos últimos anos acerca da problemática analisada, dando margem para o desenvolvimento de uma nova compreensão do fenômeno da indisciplina para além do aspeto comportamental, portanto, considerando também os elementos psicossociais. Ademais, a autora irá destacar a categorização de fatores que podem colaborar para a ocorrência do fenômeno desenvolvido por Amado (2001).
Portanto, consideramos que a abordagem construtivista, apresenta pela autora do artigo, dialoga diretamente com nossos anseios de desconstrução do conceito de indisciplina no âmbito escolar, como evidente ao afirmar que:
"O olhar construtivista também apresenta uma nova forma de 'gestão dos comportamentos' partindo da compreensão de que a indisciplina pode representar uma forma alternativa de disciplina, capaz de promover a criatividade e a construção do conhecimento." (PARRAT-DYAN, 2008 apud BARBOSA, 2009, grifo nosso).
Por fim, se formos críticos demais acerca de questões envolvendo a qualidade dissertativa do artigo, cabe mencionar a existência de erros de gramáticas/ortográficos, todavia, não é nada que inviabilize a compreensão do texto como um todo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BARBOSA, Fernanda Aparecida Loiola. Indisciplina Escolar. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - EDUCERE, IX., 2009, Curitiba, PR. Anais [...]. Curitiba, PR: [s. n.], 2009. Tema: Didática, Teorias, Metodologias e Práticas, p. 4830-4840. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/2748_1737.pdf. Acesso em: 22 ago. 2019.
CARLOS MARINHEIRO. A origem das palavras conselho e disciplina. Lisboa, 3 abr. 2008. Disponível em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-das-palavras-conselho-e-disciplina/23286. Acesso em: 22 ago. 2019.
DISCIPLINA. [S. l.: s. n.], 22 ago. 2019. Disponível em: https://www.google.com/search?q=disciplina. Acesso em: 22 ago. 2019.
FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. 3. ed. rev. São Paulo, SP: Cortez & Moraes, 1979. 142 p.
JOSÉ Pacheco. Porto Alegre, RS: YouTube, 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7ycTN3z5Ads. Acesso em: 22 ago. 2019.
NAVY Seal Commander explains why wake up at 4am. Direção: Casey Neistat. Produção: Casey Neistat. New York City, NY: YouTube, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=C-Cvl3_CH2A. Acesso em: 22 ago. 2019.
ORIGEM DA PALAVRA. Ordem. [S. l.: s. n.], 23 set. 2014. Disponível em: https://origemdapalavra.com.br/artigo/ordem/. Acesso em: 22 ago. 2019.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Levantamento bibliográfico para leitura e discussão posterior. Seleção do artigo "Indisciplina escolar: diferentes olhares teóricos" da autora Fernanda Aparecida Barbosa, para debate na próxima semana entre os integrantes do grupo.
Link para visualização: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/2748_1737.pdf
Link para visualização: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/2748_1737.pdf
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Criação do site
Criação do site para postagens semanais do desenvolvimento de nossa pesquisa. A plataforma escolhida foi o Blogger. Após estruturação da plataforma realizamos um levantamento da bibliografia específica para estudo acerca do conceito de indisciplina no contexto escolar.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Escolha do tema
Escolha do tema “(in)disciplina no contexto escolar” para desenvolvimento do projeto.
O tema se propõe a realizar uma reflexão sobre a diversidade conceitual do termo indisciplina no ambiente escolar. Após escolha do tema e discussão previa entre os integrantes do grupo, elaboramos o Cbl canvas objetivando a organização das ideias e melhor visualização dos objetivos pretendidos.
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